Na tentativa de inibir a procura de carros importados neste final de semana por conta da perspectiva de aumento do IPI para esses veículos, anunciado na quinta-feira pelo governo, descontos que eram praticados até três dias atrás desapareceram.
O novo Veloster, da Hyundai, que acaba de chegar ao país, já está cerca de R$ 2.000 mais caro do que o preço praticado na pré-venda. O modelo top agora sai por R$ 77,9 mil. Mesmo com o aumento, foram vendidas 2.500 unidades na sexta-feira em toda a rede e a expectativa era de superar esse ritmo no fim de semana.
O médico Carlos Gun, que já tinha dado sinal para garantir o seu Veloster na pré-venda, correu para uma loja para concluir a compra antes do aumento do IPI. “Se tiver que pagar mais 28% de imposto eu desisto da compra.
Da popular chinesa Chery à alemã de luxo BMW, o clima ontem era de pouca euforia com a repentina alta nas vendas e muita apreensão com relação ao futuro.
“O que eu costumo vender normalmente em uma semana devo vender neste final de semana”, disse Robson Costa, gerente da Chery Pequin na guia Freguesia do Ó. Costa esperava vender de 20 a 30 carros neste final de semana, contra uma média de 6 a 8. “Nós [importados] temos uma participação muito pequena. Se o pátio das nacionais está cheio, é por conta dos preços que eles praticam”, afirmou Costa, que teme uma queda nas vendas a partir de segunda-feira.
O aumento do IPI, de até 30 pontos percentuais, atinge carros importados por empresas sem fábricas no país. Para não pagar imposto, é preciso que pelo menos 65% da produção da montadora seja nacional.
Para a Abeiva (associação dos importadores de veículos), a medida é a favor da indústria brasileira e contra o crescimento de importados no país. O governo admite que a medida é protecionista em um curto prazo.
Fonte: Correio do Povo